APRENDENDO A ORAR O PAI NOSSO Glênio F. Paranaguá

A vida que termina sob uma lápide com epitáfio é muito curta e sem sentido. Aqui e agora é pouco para quem tem fome do ilimitado.
Ser humano é ser alguém relacional. A solidão é uma tragédia e nós precisamos de nos comunicar. Mas, nós temos carências mais profundas, muito além de membros da família e de bons amigos. Somos uma raça com anseios transcendentes. Temos sede de significado eterno e almejamos compartilhar de uma intimidade pessoal com Alguém que nos ame incondicionalmente.


A vida que termina sob uma lápide com epitáfio é muito curta e sem sentido. Aqui e agora é pouco para quem tem fome do ilimitado. Fomos criados para um relacionamento sem os limites da morte, por isso gritamos por uma comunhão verdadeira. Dialogar é uma conversa entre duas pessoas amigas. É algo amistoso. Pedir é uma solicitação entre um carente e alguém com condições de atender. É coisa de necessitado. Orar é um diálogo entre um filho amado e o seu Pai amável. É assunto familiar.

Oração não é rezar. Não é repetição. Não é alguma coisa decorada. É uma conversa que pode até ter algumas petições, todavia nunca será uma lista de clamores e súplicas. É um bate-papo na sala íntima dos domésticos da fé. Portanto, Jesus nos ensinou a orar assim: Pai nosso. Pai, não padrasto. Pai, alguém que ama loucamente seu filho. Oração é o dialogo do filho com o seu Abba. É um assunto de solitude e jamais de solidão. Estar só, sem, contudo, encontrar-se sozinho. É viver acompanhado, entretanto, longe dos barulhos de fora. Trata-se de uma conversa com o Pai nosso do céu, que se importa conosco na terra. O Pai que é Pai, mas também é Rei. É Pai-Rei e não Rei-Pai. Ele não é mais Rei do que Pai e o seu reino de Pai é um reino de amor.

Como filho, quero experimentar a santificação do teu Nome, ó Pai. Porém sou incapaz de cumprir esta ordem tão significativa e tão elevada, por isso mesmo, eu te rogo que me faças um instrumento da tua santidade sob o governo do teu reino paternal. Não por imposição, nem por esforço, mas por tua graça.

Venha o teu reino de misericórdia e graça; dá-me sede dos teus próprios anseios. Tu sabes que a minha vontade está comprometida com os meus desejos egoístas, sendo assim, só a tua vontade que é boa, perfeita e agradável, pode me fazer um agente da tua vontade, capaz de fazer todas as coisas, de boa vontade.

Pai, eu tenho fome. Mas não é fome de pão de padaria. É fome do Pão do céu; fome de aceitação plena, sem qualquer rejeição. A broa nossa de cada dia não consegue satisfazer o meu apetite voraz daquilo que é permanente; da realidade eterna. O pãozinho francês, que se come de uma vez, só mata a fome do freguês por algumas horas. A minha miséria não se contenta com aquilo que é breve, transitório, provisório. Eu tenho fome mesmo é de Jesus, o maná de cima, o maná fresco do dia, e de cada dia.

Depois de ter sido alimentado hoje, com o Pão quentinho, eu tenho que tratar agora com os que me ofenderam há pouco tempo. As ofensas de ontem, graças à tua misericórdia, prontamente foram perdoadas. Eu sou grato porque na tua casa não há lata de lixo, nem precisamos acumular a sujeira, pois o lixeiro leva tudo imediatamente. Porém, como ninguém vive neste mundo de espinhos sem alguma espetadela, e, como eu também, acabo ferindo ao meu próximo, venho te pedir: Ó Pai, perdoa-me com o perdão do teu Filho, para que eu possa perdoar aqueles que me feriram. Por favor, não me permitas que eu seja um carcereiro aprisionado na cadeia dos ressentimentos de meus ofensores. Assim como o Senhor me perdoou, eu também estou pronto a perdoar.

Pai, eu sou tão débil e sujeito às terríveis tentações. A carne é fraca e o inimigo é astuto. Mas, eu não venho te pedir que me livres das tentações. O que eu te peço é que me sustentes, com tua graça, quando estiver passando pelas provas. Se eu não for tentado, eu vou ficar tentado a crer que sou especial, e, deste modo, ficarei mais arrogante ainda do que tenho sido. Abba querido, eu te rogo: Sê tu, a minha torre forte na hora das tormentas insuportáveis e, quando o maligno estiver me açoitando, livra-me dele. Quero confessar, com alegria, que pertenço ao teu reino. Sou teu filho guardado pelo teu poder e almejo ainda, de boa vontade, viver somente para a tua glória. Reitero, com grande júbilo, o que me tem ficado notório a cada dia: o Reino, o Poder e a Glória são atributos permanentes de tua Pessoa excelsa. Amém.

Na oração do Pai nosso, nós temos os avenidas por onde podemos passear em comunhão com o nosso amado Abba. Cada um das sete vias nos conduz a uma intimidade extraordinária. Então, ao orar, ore assim, sobre qualquer motivo:

1. Fale com o seu Pai.
2. Suplique a santificação do seu Nome.
3. Peça a governabilidade do reino paterno em a sua vida.
4. Aceite a sua vontade acima de tudo.
5. Coma do Maná de Deus, cada dia.
6. Creia no perdão divino e perdoe os que o golpeiam.
7. Fique debaixo da proteção durante a tentação, suplicando a libertação do maligno. Finalmente, permaneça adorando a Deus, reconhecendo que o Reino, o Poder e a Glória pertencem apenas à Trindade Santa.

Viva sempre com ações da graças e louvores no seu coração.